Ermelinda tinha objecções fracas, adversativas hesitantes...
—mas que diria o mundo...
—o mundo, ora não faltava mais nada; estar uma victima ali debaixo do jugo do carrasco e ainda por cima havia de fallar! que lhe importava a ella! Com elle escusava tentar a felicidade, era remar contra a maré.—
—sabia isso, mas tão só, que vergonha!... e depois que posição a sua! Nem solteira, nem casada!... Uma cousa assim!—{204}
Mas a D. Clementina tinha a coragem da reacção, communicava-lhe energia
—fosse ella homem e veria se a não fasia já assignar um requerimento ao juiz!... mas iria ella mesmo a um advogado! Não, que eu fui muito amiga de tua mãe, isto é,—considerou—ella era um pouco mais velha do que eu.—
—se eu tivesse pae, D. Clementina.—
—mas não tens, acabou-se, d'ahi não vem agora o remedio!... Descansa que eu ámanhã lá vou a tua casa; boa! eu te direi o que tens a fazer!...
Sentia-se contente do seu papel activo, uma solução rapida a todos os obstaculos, uma consciencia da sua imprescindibilidade, detalhando planos com uma volubilidade agitada, communicando-lhe uma excitação de energia, chicotando a sua mollesa hesitante e irresoluta.—
—Tu verás, tu verás como tudo ha-de correr bem! É preciso pôr termo a esse martyrio.—