Percorria os olhos pelo jornal; gostava muito do folhetim e do noticiario. {233}

Um dia claro, de sol doirado, palpitava lá fóra, coando-se impertinente atravez dos stores de madeira; espreguiçou-se lentamente, bocejou, o jornal cahiu no chão, deslisando suave. Fez um grande esforço para o apanhar, o braço movendo-se lento, o corpo requebrado n'uma attitude madorrenta; mas de repente empallideceu; atirou o periodico com arremeço—

—Que nojo!...—e poz-se em pé, passeando para o lado contrario, como não querendo vel-o.—

Uma carruagem parou á porta.

—Quem seria?—e foi á janella muito curiosa, levantando um poucochinho o store, o pescoço curvando-se para ver melhor.

—Ah, o commendador!... e então que estava só, tinha de ir abrir-lhe a porta, a Joaquina fôra buscar a Rosina ao collegio... valesse-lhe Deus.—

A campainha vibrou; demorou-se um instantesinho em frente do espelho, anediou o cabello.

—E nem tempo tinha do se vestir! Jesus! recebel-o-ia mesmo assim de roupão, elle não era de cerimonia!—

E foi abrir a porta; o commendador entrou, trasia um bello ramo de rosas, e um embrulhosinho,

—uma lembrança para a Rosina—