—Que era só n'elle—protestava convencida.

—Ah! era então muito feliz.

—Muito, muito?—perguntava sorrindo com uma certeza de que havia melhor.

—Muito, muito, não! para isso só uma união eterna, indissoluvel, que os tivesse sempre juntos, unidinhos, como um casal de pombos enamorados.

Ermelinda sentia um rubor honesto, de felicidades nubentes, invadir-lhe a face.{30}

—Ah! que a Amelinha Bastos essa é que fôra feliz! Um bello casamento! E então só o vestido do noivado, que dinheirão!... Mas nem por isso estava bonita, não lhe parecia?

—Que sim—respondia desdenhoso.

—E sempre teve um dia mais desagradavel: chuva, sempre chuva! era insopportavel; apesar do trem, tinha-se toda salpicado de lama! O seu casamento havia de ser n'um dia alegre de sol, muito sol; não achava melhor?—

—De certo! elle todavia julgava indifferentes essas cousas! qualquer dia era bom!

Calavam-se; um novo silencio cahia, como as pausas lentas d'um trecho de musica.