O sol banhava de luz a cidade, quando o Alberto, com os olhos baços, cambaleando, se mettia n'um trem e mandava bater para o Central.
[III]
A hora ia passando, Ermelinda começava a manifestar uma impacienciasinha.
—Já se vai demorando—pensava—e investigava com o olhar contrahido, os vultos que ao longe apresentavam com Alberto uma semelhança na estatura, no andar. Mudava de posição frequentemente, aconchegava-se para o canto da janella com o fim de apanhar uma porção de horisonte mais extensa.
A noite cahia e os empregados do gaz, n'um passo rapido, de tarefa imposta, accendiam os candieiros, que atiravam projecções luminosas sobre a calçada, e sobre as frontarias dos predios.
Começava a ser frequentado o armazem, lá ao fundo da rua; os transeuntes iam diminuindo, e{35} os vendilhões, n'um grito rouco, fatigado, apregoavam ainda os ultimos productos do seu commercio. Um rodar surdo d'americanos serpenteava, e as luzes vermelhas, como olhos injectados, passavam rapidas, oscillando. Uma sombra caminhava n'um movimento circular, desapparecendo, á medida que o vulto se approximava da luz.
—Ah! d'esta vez era elle, conhecia-o no andar—e escondia-se, maliciosa, para o surprehender.
—Mas não—o sugeito continuava a caminhar indifferentemente, não attentando n'ella sequer.
—E esta!—dizia, n'uma voz tremente, nervosa, de desillusão provada.
Mas depois, reflectindo: