—Cinco tostões, que miseria, posso lá fazer figura!—disse com desalento.—Deu alguns passos mais, parou de novo, indeciso. A ideia do jogo, symbolisada n'aquelle rei de espadas, aferroava-lhe o cerebro, como uma vespa opportuna que se enxota debalde.
—Tambem pouco perco, vamos lá.
Resolveu-se.
Retrocedeu e entrou no Gremio. Jogadores infelizes sahiam; em cima ouvia-se um brou-ha-ha ruidoso e tosses convulsas provocadas pelo fumo do tabaco.
A atmosphera espessa podia partir-se, asphixiava; no soalho os escarros collavam-se ás pontas de cigarros.
O Alberto entrou, sem se incommodar, como velho conhecimento.
O banqueiro apresentava n'aquella occasião um rei d'espadas.{34}
—Jogo—disse rapido.
A sorte foi-lhe favoravel. Duas horas depois um monte d'ouro estava na sua frente. Os olhos irradiavam-lhe alegrias febris; nas faces tinha o calor rubro das congestões. Os amigos rodeiavam-o como a um semi-deus olympico.
Jogou a ultima parada, levantou-se; convidou os rapazes para uma ceia. Felicitações choviam e sorrisos felinos, de invejas abafadas, procuravam-o de todos os lados.