Caminhava lentamente, com mau humor; as linhas do seu rosto vincavam-se n'uma irritabilidade surda, espelhando o lodo da sua alma.

Atravessou ruas desertas, praças onde apenas as grandes arvores se levantavam, como espectros collossaes; ás vezes uma guitarrada apparecia, cantando trovas fadistas, acanalhadas; mulheres que estendiam a mão e a honra á philantropia que voltava das ceias, occultavam-se na sombra, como vermes que se arrastam.

Alberto desceu os Clerigos, atravessou a praça de D. Pedro, subiu a rua de Santo Antonio.{33}

Morava em S. Victor.

Ao chegar á Batalha parou para accender um charuto. Dous vultos que vinham na sua direcção gesticulavam, fallando alto.

—Com que então depennado!

—De todo!... se me emprestasses uma libra mais, uma coroa que fosse!... estou com palpite! Era no rei de espadas, acredita-me.

—Deixa-te d'asneiras; não basta o que lá te ficou! outra vez tirarás a tua desforra!

Affastavam-se; palavras indistinctas, confusas, fluctuavam no espaço sonoro.

O Alberto pareceu meditar; as suas mãos revolviam com avidez os bolsos.