—Tens tu por ahi Xerez? é do vinho que mais gosto, meu marido aprecia-o muito!—
—Que ia buscar-lh'o n'um instante, que a desculpasse por ter de ficar só.—
—Á vontade, filha, á vontade—e pegou no romance que Ermelinda estava lendo, em quanto esta se retirava a buscar-lhe o Xerez.
D'ali por momentos Ermelinda entrou com uma pequena salva de prata, onde vinha uma garrafa de crystal e dous calices; a Amelinha muito prompta, com grande espalhafato, foi ajudal-a. Ella mesma encheu os calices e tomando um, disse com modo desenvolto:
—Á tua felicidade, Ermelinda.—
—Obrigada, menina.—
Mas os seus olhos turvaram-se d'umas lagrimas, depressa occultas n'um lenço em que fingiu assoar-se; dentro mesmo ella tinha chorado, agradecendo no seu intimo á Amelinha aquelle desejo do Xerez, que lhe dera uns instantes de isolamento.
A Amelinha, sentada na chaise-longue, saboreava o vinho em pequenos sorvos, fazendo covinhas nas faces. Depois, como tomada d'uma lembrança repentina:
—E o teu namoro, como vai, menina?—
—Oh, filha, se queres que te diga...—