—Dize lá, dize lá, estou muito curiosa de saber—e curvou-se um pouco, n'uma pose confidencial, de quem escutaria com ávido interesse.
—Andamos assim, meios cá, meios lá—respondeu{47} Ermelinda encolhendo os hombros, franzindo o labio,—se queres que te diga, menina, já me importei com elle, aquillo foi uma phantasia, uma brincadeira que pouco durou! Para mim já não ha illusões.—
—Pois tinham-me asseverado que te casavas.—
—Credo, nem se pensou em tal!—Mas como desejasse evitar a continuação da conversa:
—E tu, como te dás com o Guilherme?—
—Bem, filha, magnificamente!—
—Tu é que foste feliz—disse Ermelinda tomando a mão, que a Amelinha abandonou, n'uma nonchalance de bébé, gosando com aquelle aperto que lhe lembrava uma caricia do seu maridinho.
—Por emquanto não tenho rasão de queixa; o Guilherme não vê outra cousa diante dos olhos; até, se queres que te diga, ás vezes chega-me a aborrecer com tantas pieguices.—
—Ingrata...—
—Ingrata, não! Mas tu o sabes... sou assim um poucochinho estroina... não gosto de homens tão serios e tão pêccos.—