—É o que te digo, filha!—e a Amelinha, pondo-se em pé, principiou a passear, cantarolando a canção do Rigolleto:
«La donna é mobile»
N'este momento o velho relogio de Jorge bateu as duas horas.
—Ai! tão tarde! Credo! Adeus, menina, vou-me embora!—
—Já?—{49}
—Já; ainda tenho de ir ao Pinheiro, a Cedofeita. Preciso umas guarnições para o meu vestido d'estação.—
—N'esse caso não te demoro!—e Ermelinda, collocando-lhe de novo o chapeu, fazia-a prometter que viria mais vezes, para passarem um bocadinho juntas.
—Estou ás vezes tão só!—
—Pois hei-de vir, filha, hei-de vir! e pondo-lhe na face uns beijos sonoramente cantados, a Amelinha, affogueada pelas irradiações do Xerez, muito alegre como um passaro na Primavera, desceu o véo de tulle branco sobre o rosto e sahiu, batendo com grande estrondo a porta da campainha.
—Sempre está uma douda!—disse Ermelinda vendo-a sahir!—e após um silencio de reflexão: