—e quem o impedia, ella talvez para lá fosse tambem aquelle anno—
—mas tinha seus negocios, que não havia outro motivo, não...
—na idade d'elle...{59}
—quarenta e cinco, D. Clementina, já cá estatavam quarenta e cinco—
—que era isso! e ninguem o dizia, tão bem conservado.—
Sorria-se.
Um trem passava levando as palavras no ruidoso estremecer dos seus movimentos; vendilhões apregoavam, e a D. Clementina, na impossibilidade de atirar amabilidades para a janella do commendador, enviava uns sorrisos pudicos, d'uma honestidade quarentona, como ainda sabiam fazel-os os seus labios de purpura desbotada. E depois, quando voltou uma intermittencia de silencio, que permittia a transmissão da voz, erguendo-se um pouco, n'uma flexão tetanica de collo, muito novedadeira:
—Então sabe que Ermelinda casa!
—não, não sabia, boatos talvez—
—qual historia; era verdade, podia ella affiançal-o; estivera lá em casa ainda hontem; o commendador é que apparecia poucas vezes agora..., e não fazia mau casamento... o Alberto herdara d'uma tia—