—faria por tomal-o elle tambem!—respondeu sério, n'um tom accentuado, de novas resoluções emprehendidas.

E emquanto o Jorge se enchia por elle d'uma sympathia calculada, vendo-o, regenerado, vivendo na boa sociedade, elegante e fidalgo, e de resto, namorando a sua Ermelinda, que poderia vir a ser sua esposa, o Alberto, num sorriso intimo, de bom comediante, acariciando o bigode:

—Estás cahido—meditava.

[V]

O commendador Faria vestia-se no seu gabinete do Hotel; tinha um grande apuro de si proprio, muito escanhoado, o cabello lusidio de pomada,{58} a risca ao lado, as barbas muito penteadas, a camisa d'uma brancura anilada com ricos botões de brilhantes. Tirou do bolso um chronometro inglez, de setenta libras—dez horas ein, e se esquecia de almoçar!—

e vestindo o casaco, dando o nó da gravata, ageitando os oculos em frente do espelho, foi abrir a janella do quarto; mas recuou, teve um movimento instinctivo de retirada,

—que caiporismo de mulher, não largava um homem, parecia Mineira, ella, que grande massada—

alto, porém, sorrindo, comprimentou a D. Clementina do Rosario, fez oscillar a sua grossa cabeça com um bello ar de amabilidade, teve mesmo uma phrase galante para com a visinha, que todos os dias, n'um rigor chronometrico de vinte e quatro horas, o asseteava com a sua carnação copiosa e fresca, o collo alvo da brancura lactea das camellias, e um sulco escuro, que descia, n'uma curva insinuante, attrahindo o brazileiro, cuja janella um pouco superior lhe offerecia as vantagens d'uma contemplação a vol d'oiseau.

—Uma manhã muito fresca—dizia—appetecia um passeio pelo campo—

—elle então que precisava tomar seus banhos em Vizella.