—Ora para onde irão elles a esta hora! sempre o desejava saber—observou o Juca, curiosamente, batendo com a badine no balcão.—E sahiu rapido, borboletando como um colibri, desejoso de saber.
O commendador desviara os olhos do jornal; parecia-lhe que d'aquella mulher, que estava uns vinte passos distante, irradiava alguma cousa de subtil e quente, como um veneno oriental que lhe corresse nas veias; fitava-a insistentemente, atravez dos seus oculos d'ouro, como desejando attrahil-a para si, n'aquelle mutismo de obediencia passiva, com que os magnetisadores recebiam as suas allucinadas. E ao ver Ermelinda saltar para o trem, descubrindo brancuras de vestidos n'um movimento rapido, sentiu-se como que estonteado, uma aura que lhe ennevoava a visão, alguma cousa de terrivel e doce, que escachoava confusamente no seu cerebro, e pondo-se a pé, um pouco pallido, disse para o caixeiro do estabelecimento
—Me dás um copo d'agua, Manoel?—{66}
E bebeu-a d'uma assentada, um pouco apressadamente, como se confiasse em que a acção fresca do liquido lhe acalmaria aquella agitação intima, que bem a seu pesar, lhe sacudia os nervos tão pacificos.
Mas n'este momento o Juca, entrava todo offegante, vaidoso de si, dando um giro mais largo á sua badine.
—Já sabia...—
Rodearam-n'o; uma grande curiosidade patenteada em todas as physionomias.
—Então, dize lá, menino?...
—Ao tabellião, meus lyrios, ao tabellião; vão assignar as escripturas.—
Os commentarios choveram; o commendador tinha-se retirado, apenas soubera da informação do Juca.