—e depois que momentos felizes quando o Jorge por um motivo qualquer tinha de se ausentar da sala, ficando sós, os dous, na plenitude livre do seu amor, que irrompia, como um riso torrentuoso, n'uma caudal indomita de beijos...
—Oh, Alberto, Alberto, que fazes!...
—perdoa-me, é uma loucura, mas eu amo-te, e soffro... soffro d'este amor—e ajoelhava-se, n'uma supplica humilde, urgente, que a dominava, tornando-a tremula...
Mas o Jorge vinha, e a sua presença, como um douche gelado por cima d'aquelle incendio, acalmava-os, fazendo-os retomar atrapalhadamente os objectos em que se entretinham antes d'elle sahir.
Sob estas fustigações incitantes a força psychica accumulava-se, polarisando-se reciprocamente n'um magnetismo mysterioso, que os attrahia um para o outro.
—Só a morte nos separará—diziam dominados ainda pela excitação recebida, sob a impressão candente d'um beijo d'amor, d'uma emoção fortemente sentida. Essa força latente, que se accumulava, podendo explosir com uma violencia{73} vulcanica, reclamava o casamento, a união reciproca, como uma valvula de segurança, por onde podesse respirar a paixão, amortecendo-se na atmosphera pacifica da vida vulgar, em commum.
Conheciam-se pouco, mas... que importava!... amar-se-hiam muito... o conhecimento viria depois... havia apenas um mez que Alberto tinha entrada em casa; mas
—havia seis mezes que o namorava—dizia Ermelinda—e o coração não a podia illudir... não... era o seu verdadeiro amor aquelle...—
E fluctuavam-lhe vagamente, n'uma indecisão esvahecida, as reminiscencias dos seus outros namorados;
—Uns pulhas, a final!... E depois eu era creança! tolices...—