—Você conhece ella?
—Se conheço! É a Annita, uma moça que já esteve ahi por certas casas, ein, e depois sahiu, creio que para a companhia d'alguem, o commendador comprehende?—
—Ah, ah, pois se parecia ella muito com a Ermelinda, ia jurar que eram irmãs as duas, ora já viu...
—O diabo o jurasse.—E riram muito, dobrando os grossos ventres em contracções diaphragmaticas, as bochechas dilatadas, no espapamento obscuro de alegrias alvares.
O Lourenço despediu-se, tinha que fallar com o Mendes, ficara de estar com elle no café Suisso, e instava para que o commendador o acompanhasse
—ficava mais um poucochinho, lhe agradava muito aquelle panorama.
—Oh, era sublime!
—Até logo!
—Até logo, no hotel, ein, para a partida do sólo.
O commendador viu o Lourenço subir a rua de S. Lazaro e continuou a passear na alameda, abstracto, um pouco descuidoso de si, como se caminhara embalado na serenidade doce d'aquella natureza que se lhe desenrolava diante! Havia um pensamento latente, que phosphorecia lá dentro, na solidão do seu espirito, e ora se apagava,{86} ora reapparecia, para tornar a fugir, alguma cousa de errante, que elle não podia condensar n'um raciocinio logico, e bem seguro, como fazia a uma somma de cifras dispersas. Escapavam-lhe phrases soltas, entrecortadas: