—Mas que me importa ella a mim?—perguntava a si proprio—e insensivelmente os seus olhos cravavam-se em Ermelinda, toda formosa no seu vestido branco, um bello ar de virgindade pudica, como as esposas do Senhor nos dias de noviciado.

—mas, que raiva esta!... Ora, ora!...

E desviava os olhos, terminando em fitar um S. Miguel doirado, domando bellicosamente o velho Lucifer, d'uma cara angulosa, que o olhava, o pescoço torto, com um grande ar sarcastico.

—Podia ser minha, mas não é, acabou-se!... E desviava o pensamento para objectos communs, negocios que o interessassem, passeios que tinha destinado fazer; mas como um pendulo que se move em volta do mesmo centro, a ideia voltava tenaz ao mesmo assumpto, suppliciando-o, amargurando-lhe aquelles momentos, em que desejaria ter a mais santa tranquillidade.

Só a D. Clementina adivinhava talvez, no seu{96} ciume de solteirona, o que se passava na alma do commendador.

—Ah, mas era bem feito, não estava ella ali que se morria por elle... e agora, que felicidade... ficaria só no campo... Ermelinda era d'outro.—

A ceremonia terminou finalmente. Todos tratavam de a abraçar, cumprimentando, com uma chuva de felicitações.

Depois do casamento os noivos iriam para Braga, passar a lua de mel no Bom-Jesus.

—Era moda—dizia-se—havia tom n'este voejar de pombos livres para a solidão tranquilla das florestas.

Ermelinda foi a casa mudar de vestido e o sequito esperando-a, acompanhou-os até Campanhã, enchendo a gare.