Muitos abraços trocados, mas a machina silvou, um grande silvo agudo, vibrante como um gemido soluçado. Ermelinda teve até um pequenino susto.

—Credo, não esperava agora por aquillo.—

Mas era tempo; entraram no wagon, a locomotiva arrastava-se lenta, com um vagar preguiçoso, de quem sabe ser uma boa locomotiva portugueza. Os adeuses cruzavam-se no ar, frementes de saudade, gloriosos, muito alegres. Os convidados retiraram-se.

O Luiz Serra, um poetastro noviço, dizia para o Dr. Roberto, em cujo trem regressava para a cidade:

—Gosto d'isto, tem poesia, Dr.—{97}

—Escreva-lhe uns versos—respondeu ironicamente o joven medico.

—E vou escrever, a inspiração está ainda muito recente, muito viva! Um casal de pombos, que se unem, n'uma união mystica, recamada de perfumes, acompanhada dos canticos religiosos, e depois o esvoaçar livre, no grande espaço, até irem poisar na floresta densa, onde ensaiam a tentativa do primeiro ninho,—n'um idylio palpitante d'amor.

—Melhor o ensaiassem em casa.—

—Oh! Dr., isso é fossil!

—É por isso mesmo que na epocha de hoje deve ter um grande valor!