Os rapazes invejavam surdamente aquella naturalidade e garbo simples de porte.
—Aquillo é que é um menino!—exprimiam dous caixeiros, n'uma metaphora admirativa e ciosa.
—E então? fazia elle muito bem... que andasse d'ahi, iriam dar um gyro... egualmente!—convidava um d'elles todo almiscarado, com a risca do idiotismo ao meio da cabeça e o cabello frisado, n'umas ondeações luzentes de bandolina.
E os dous fingindo-se interessados n'uma conversa importante que lhes disfarçasse o acanhamento tosco, aventuraram-se a um passeio pela sala, sentindo-se logo invadir d'um rubor de face ao perceberem os olhares das senhoras, que se riam baixinho das suas grossas mãos entaladas n'umas gritadoras luvas amarellas.
As meninas tinham o mesmo syncretismo dos caixeiros; admiravam a elegancia do Alberto, achando esbelta a figura, o penteado, a maneira de trazer a camelia, a curva artistica do bigode. As mais curiosas examinavam furtivamente os berloques do relogio, procurando surprehender alguma bijouterie symbolica de coisas de namoro.{13} A Ermelinda primava entre todas n'essa muda contemplação extactica.
As Bastinhos leram no seu olhar e cochicharam logo:
—Queres tu ver que a temos tramada! repara na Ermelinda como se derrete a admirar o Alberto.
—Forte tola! Deixa que a não hei-de perder de vista, Amelinha!
O Mendes entrou porém na sala; um sorriso de bonhomia, despido de etiquetas lhe pairava nos labios.
—Vamos, minhas senhoras, vae-se dançar alguma cousa para matar o tempo, ein! Que ha-de ser, ó Adelaide?