—É poetico...
—Olha aquella casinha, não vês... toda enfofada em verduras.—
—Havemos de arranjar uma assim; é bonito é chic vir passar um mez na nossa casinha de campo.—{101}
—Ah, como tu és bom!...—e recolhia-se um pouco para dentro, a imaginação debruada de phantasias coloristas, cofiando-lhe o queixo, muito de leve, mansa e insinuante, offerecendo-lhe o rosto, em que elle depunha um beijo amoravel, muito demorado. Sentaram-se um ao lado do outro, começaram a brincar, umas pancadinhas furtivas, d'uma graça infantil a que ella fazia uma moue de ingenua, muito adoravel, de pequenina gata.
E depois enroscando-lhe o pescoço com um grande impeto d'amor agradecido:
—Ainda me parece um sonho, Alberto.—
—É verdade, ainda me parece um sonho.—
E estreitava-a, arqueando-lhe a cintura na curva dos seus braços, beijando-a doidamente, voluptuosamente, fustigando-a de excitações nervosas. Ermelinda deixava-se amollentar no avelludado quente d'aquellas caricias, que nunca conhecera.
—Ah, como era bom ser assim amada—dizia, toda offegante, a respiração curta; muito quebrada por sensações incoherentes, d'uma delicia indefinida; e ameigando-o, muito carinhosa:
—Tu és o meu maridinho, ora não és?—