—Se sou!—e segurava-a com vigor, apertando-a muito contra o peito, n'uma sollicitação sedenta de namorado, communicando-lhe um tremor convulso, entre voluptuoso e dolorido, que a perturbava de fortes commoções.
Anoitecia; tinha-se passado Nine; principiava a lucillação do luar, n'um tremulo vago, a palpitar amorosamente por sobre as cumieiras da{102} serra, que escureciam na grande paz dormente; as arvores tornavam-se indistinctas massas confusas, fluctuantes, n'aquelle arfar constante do comboyo; umas bafagens quentes penetrando pelas janellas, passavam de quando em quando indo affagal-os n'um enlanguescimento morno.
Os beijos d'Alberto tinham um calor penetrante e Ermelinda, entre os seus joelhos, o cerebro atordoado, deixando-se cahir n'um affrouxamento languido, a voz ciciando um queixume:
—Alberto!...—
A locomotiva silvou; avistava-se Braga, com as suas luzes encravadas como pequenos pyrilampos na massa vultuosa da cidade.
Um quarto de hora depois estavam no hotel.
—Ainda n'aquella noite iriam para o Bom-Jesus; que lindo! subir a montanha á luz candida da lua, elles, agora tão felizes, tão amiguinhos um do outro—dizia Ermelinda.
—E se nós fossemos ámanhã?—ponderou Alberto.
—Ámanhã, ora, que tolice!—replicou enfastiada.
—Tolice, não; ia-se mais descançado.—