—Olha a grande fadiga,—respondeu com uma nevoasinha de colera—que semsaboria ficar em Braga!...—e amimando-o, a mãosinha no rosto,

—Havemos de ir hoje, sim?—

—Vamos la, és uma feiticeira!...

—E depois, que lindeza ámanhã, quando acordarmos, ouvirmos o gorgear dos rouxinoes na sombra fresca das carvalheiras!

—Romantica!{103}

—E tu não o és tambem! Não amas como eu esses espectaculos da natureza!... e depois quando se é noivo!...

—Tens razão; seria uma tolice ficar em Braga.—

Mas no fundo, bem no fundo do pensamento de cada um, a desillusão entre-abria-se, como uma flor venenosa que tem nas finas particulas aromaticas a corrupção futura do ar que embalsama. Na imaginação d'Ermelinda, Alberto cahira no prosaismo das commodidades triviaes,—um materialão, ora vejam lá, e eu que o julgava uma alma apaixonada, radiosa de luz, de poesia d'amor... e fiava que o futuro lhe descobriria ainda mais em relevo esses defeitos,—que elle não saberia ter as delicadezas subtis, de que toda a mulher se quer vêr rodeada, como n'uma onda de finissimo arminho,—que seria talvez grosseiro, conhecera-o na ruga animada da sobrancelha, quando lhe contrariou o seu desejo de irem n'aquella mesma noite para o Bom-Jesus.—

Mas olhava para elle, era o seu Alberto, o seu maridinho;—ora, que lhe importava tudo isso agora, era noiva, estava na sua lua de mel... e rodeava-o d'uma caricia longa, na ebriedade do seu novo estado.

A seu turno o Alberto pensava: