Sentava-se, lançava o liquido fervente sobre a sua fina chavena de porcellana; mas tinha abstracções, deixava-a transbordar, enchendo o pires. A Joaquina do lado, a mão apoiada sobre as costas da cadeira, avisava-o, com certa familiaridade de criada antiga:

—Que está fazendo, Sr. Jorge!... Ou elle credo! nem que ella fosse para o fim do mundo!... Olhe que a estas horas lembram-se lá bem de si...

—Dizes bem, dizes bem, Joaquina—e esquecia-se de deitar o assucar

—está azedo, o chá...{106}

—Podera não, se o senhor o não adoçou!... ora, ora até dá vontade de rir.

—Joaquina, então.

—Isto foi graça, o senhor desculpe;—e impertigando-se toda na sua seriedade—não que elle uma cousa assim...—

O Jorge comia pouco, um biscoito apenas; o appetite faltava, o seu bello appetite burguez, tão sadio e tão prompto.

—Não, assim até é desnecessario fazer comida—ponderava a Joaquina,—ao jantar fica tudo, ao chá é isto que se vê.

—Não tenho vontade, mulher...