—E agora que já tinha o chapeu, não era possivel adiar mais tempo; iriam fazer as suas visitas de casamento.

Alugaram um trem, um coupé do Marques, de{121} molas doces, acolchoado, elegante, confortavel, d'um estofo assetinado.

—Ah, como seria bom ter um trem—pensava—reclinar-se languidamente nas suas almofadas, correr nas brancas fitas do mac-adam ao som estrepitoso dos grandes cavallos normandos, os lacaios flamantes, de compridos casacões, com largos botões chapeados.

—Como eram felizes os ricos—e revoltava-se contra essa desigualdade de fortunas, n'um impeto socialista, figurando-se-lhe uma injustiça a falta d'aquelles sumptuosos contactos do luxo.

Mas o trem havia parado á porta do Mendes. Era a primeira visita. O cocheiro desceu, tocando violentamente a campainha.

Uns beijos cantadinhos se trocaram,—muitos parabens, estava até mais bonita, um poucochinho gorda; ah, agora é que era gozar.—

—Certamente, D. Carola, em quanto a gente é moça.—

—Pois não, Snr. Alberto, depois se vem os filhos e isso é sempre o mais certo.—E voltando-se para Ermelinda:

—Onde mandaste fazer o vestido, menina?

—Na Sellier's; um poucochito caro...—regosijava-se por ter sido notada, quebrando-as de inveja.