BOCAGE (meio desconfiado)

Já não quiz entrar commigo um instante no Nicola, e agora deixa-me!

GONÇALO

É noite de festas, e está ainda mal fechada a sepultura de meu irmão!

BOCAGE (caindo em si)

Tem rasão.

MORGADO (chegando-se)

Sube o desgosto que teve, sr. tenente Gonçalo Mendo… Muitos parabens… (corrigindo-se) dou-lhe os sentimentos, quero dizer… Seu irmão, tambem era doente… Quantos annos tinha?… Boa casa!… É uma boa casa, a casa de Mendél, dizem todos. E de mais a mais com os coutos de Sandim!… Deixou uma grande casa!… O sr. Gonçalo Mendo naturalmente larga a vida militar.—Com uma casa d'aquellas!

GONÇALO (com inteireza)

«Sr. morgado da Gesteira, a minha familia foi sempre uma familia de soldados. Alli cumprir a lei e servir a patria não é especulação, é preceito. Se meu irmão por fraco e enfermo não poude satisfazer a obrigação, por elle a satisfazia eu. Hoje, que me falta, essa obrigação fez-se duplicada: é a d'elle e a minha!»—Creio que o sr. Bartholmeu Tojo não vê no vinculo senão a renda. A mim ensinaram-me de pequeno a só considerar no patrimonio dos meus, como coisas superiores, o dever e o nome!—Adeus sr. Bocage! (Sae.)