MANUEL SIMÕES
Admiro, porque não é o costume. Admiro, mas approvo. Quando quererá sua tia D. Felicia fazer o mesmo, ou pelo menos ouvir-me? Pois devia… devia, que se continua como vae, não sei como hade ser… Por mais que lhe peça, por mais que lhe diga, nada. Não quer saber senão de dinheiro… Como se o dinheiro se cavasse!… Quando lhe fallo em contas, dão-lhe os seus hystericos, e… acabou-se, não é possivel.—Os papeis estão todos em ordem no meu escriptorio (indica a porta respectiva). Não é casa costumada a donaires, mas se não a assusta…
D. MARIA JOANNA (dirigindo-se á porta indicada)
Pois a que vim eu?
MANUEL SIMÕES (reparando em Maria Gertrudes e com certo affecto)
Ai! a menina Maria Gertrudes! Já aqui lhe mando minha irmã Monica para lhe fazer companhia.
MARIA GERTRUDES
Não é preciso… Vou eu mesmo procural-a, se me dá licença.
MANUEL SIMÕES (como acima)
Bem sabe que é de casa! (encaminha-se ao escriptorio.—Como lembrando-se de repente) Oh!… (Novamente ás senhoras) Permittem? (indo á porta da D., 2.^o plano) Levem lá para baixo essas peças de saragoça, que hão de ir ámanhã para Abrantes… e arêjem-me as baetas, não se esqueçam… (voltando) Isto, se eu não determinar tudo!… (inclinando-se e esperando á porta do escriptorio que D. Maria Joanna passe.—Sae D. Maria Joanna e Manuel Simões.)