D. MARIA JOANNA

N'este caso, continúo eu… ou não se acaba.—Parámos. O morgado e o commendador vinham ainda um pouco distantes, penso. Os homens fazem menção de nos cercar a liteira. A minha aia desmaia. Os liteireiros fogem pelo azinhal, e creio que os criados tambem. Emfim achei-me não sei como a pé na estrada. N'isto o commendador caiu…

COMMENDADOR

Dei de esporas para acudir, e tropeçou-me o cavallo…

D. MARIA JOANNA

Muito a tempo.

MORGADO (que espreitava a occasião, apoderando-se da palavra)

No meio d'estes apuros, conservo toda a presença d'espirito… deito á carreira, faço parada firme, ponho pé em terra n'um relance, com todos os preceitos… os tres tempos velozes em meio circulo seguido… levanto o commendador que estava tolhido pela sella… não indago mais… a pé mesmo levo da espada, e caio como um raio sobre a malta… Ah! que se tenho tempo! Duas voltas, um cambiamento, treta sobre treta, talho e revez, e ensinava-lhes o que é o morgado da Gésteira com a espada na mão!… A prima veria… Por seu respeito!… Veria… Não digo mais!

D. MARIA JOANNA

Veria… estou certa. Mas não vi. Foi pena. Apagou-se o raio antes de fulminar!