Ah! isso não lhe dê cuidado.—O Bocage não o affronta já: está todo captivo da afilhada de D. Felicia… E a afilhada de D. Felicia… não lh'o prognostiquei?… deu já de mão ao filho do mercador. O tenente, de um momento para o outro… D'esse depois se tratará, sendo preciso.—Bem vê como lhe abro praça, e o deixo só em campo tornando-lhe facil a victoria. (vae sentar-se á E.)

MORGADO (recuando com uma especie de terror)

E tudo por amizade!

COMMENDADOR

A amizade é o meu fraco. Chegue-se para aqui. Sente-se. Vamos ao que importa. (O morgado senta-se-lhe ao pé.) Manuel Simões não parece muito disposto a dar-lhe ao cincoenta moedas de que me disse precisava infallivelmente.

MORGADO

E preciso. Que faria eu diante de minha prima sem real?

COMMENDADOR (preparando a caixa para tomar uma pitada)

Mau era na verdade… Mas a Gésteira, que nunca chegou para muito, já não dá para mais… As vinte moedas, qne lhe arranjei o anno passado, foram-se n'um instante á banca, e ao loto de Génova… Manuel Simões sabe tudo isto perfeitamente, vê-o afogado n'um diluvio de hypothecas, e não é homem que deite o seu dinheiro pela janella fóra… (offerecendo-lhe a caixa) Toma?

MORGADO (erguendo-se consternado)