D. MARIA JOANNA

Não é já o sr. Bocage da nossa intimidade? Não me esqueceu ainda!

BOCAGE (com forçada jovialidade)

Filho de Marte e de Venus pintaram o Amor. É indispensavel corrigir a mythologia… O Amor, de menino fez-se homem; de azougado cordato; de despido composto; de vendado attento… abjurou por fim a gentilidade, e até de pagão se converteu a bom catholico… para santamente unir e abençoar, como o pediam os seus merecimentos, um novo Marte e uma Venus melhor!

GONÇALO (fitando-o)

Porque violenta o espirito?… Esse tom festivo tem o que quer que seja de febril… não vem do coração.

BOCAGE (naturalmente)

Não vem, não; diz bem. No coração… tenho uma tristeza profunda… uma dôr que eu desconhecia.

GONÇALO (apertando-lhe a mão)

Comprehendo. Sente agora o sacrificio!