MARQUEZ (intervindo)
Fizeram todos o seu dever. Tenho tambem um para cumprir… (para o Commendador e Morgado) Ás pessoas, que eu protejo, nem o proprio Marquez de Pombal se atreveu nunca! (fulminando-os de desdem) Sr. Morgado da Gésteira, precisa sair de Lisboa e tornar quanto antes para a sua terra… (O Morgado fica attonito.—Com intimativa.) Precisa.—Hade ter disposições que fazer. Não o quero demorar… (O Morgado percebe e encaminha-se todo encolhido e confuso á porta da D.) Espere… o seu amigo Commendador deseja acompanhal-o.—Sr. Commendador, é provavel que a Meza da Consciencia lhe queira tomar contas do modo por que tem cumprido os encargos da sua commenda. (O Commendador, que ao principio ouvia altivo, resigna-se tambem o segue o Morgado.)
SCENA ULTIMA
OS DITOS, menos COMMENDADOR e MORGADO
BOCAGE (vendo-os sair)
A vilania e a jactancia… a cobiça e a hypocrisia!… Ahi estão os homens, ahi estão os vicios, que me ensopam a satyra em fel… que me inflammam de raios a musa!… Bem o prevejo, bem o presinto… Contribuirão elles para me abreviar a vida… pagar-lhes-hei eu com a immortalidade do ridiculo!…
MARQUEZ
Guarde para mais a lyra, Manuel Maria. Não vê como os castiga o despreso da gente de bem?—(a Gonçalo) Hade voltar… e hade voltar breve.
D. FELICIA (consolada)
Hade… hade… que m'o diz o coração!