MORGADO

Tantas vezes jantei n'esta casa!… Fui eu que dei as receitas de fartes e de manjar real á Dorothéa!… Foi alli que ensinei o Fernandes velho a fazer perdizes de gigote, quando vinha caçar com seu tio capitão mór…

D. MARIA JOANNA

Memoraveis recordações!… Admira como não reconheceu logo a casa.

MORGADO (machinalmente)

Com a perturbação… (emendando-se) com o escuro, quero dizer… E era tão novo ainda n'aquelle tempo!—Não se lembra de seu tio João, de Carregueiros? Parece-me estar vendo ainda o sr. capitão mór, João Alvares Lobo, sempre sisudo, e sempre triste… triste como a noite!… Tudo por quê? Por não deixar filho varão para herdeiro, (a D. Maria Joanna) e por causa da paixão de sua tia D. Felicia pelos donaires… Nunca se viram dois genios mais oppostos… Elle todo monteador e fragueiro; ella toda côrte e mimos!… Teimava o capitão-mór em eternizar, na Torre da Palma, os costumes do tempo em que era castello fronteiro a casa. A sr.^a morgada D. Felicia não tinha senão um fito… ser açafata no Paço.

D. MARIA JOANNA

E já é?

GONÇALO

Espera ainda ser. Ha treze annos que espera.