D. MARIA JOANNA
Insensivel!… Uma pedra, porque não?… Um gelo dos Alpes, vamos… Diga, diga… Se não o diz, pensa-o.—Somos insensiveis para estes senhores, nós outras, quando não nos declaramos humildemente rendidas apenas se dignam dar-nos um signal de preferencia… Nascemos para seu desenfado… «Sorri a todos»!… Vejam! Uma causa crime, completa só n'esta phrase: «sorri a todos»! Olhem o attentado! Queriam que chorassemos sempre? Queriam que os chorassemos!… E quando choramos… Nem eu digo!—Sentenciado a pena ultima, o nosso sorriso. Sentenciado porquê?… Não sabem que nas mulheres o sorriso anda perto das lagrimas!… Deixem-nos ao menos esse raio de luz entre chuveiros… como o sol de inverno.
GONÇALO
Poderia responder-lhe que mais commodo do que ter amor é deixar-se amar… Mas não digo… não me queixo… nada peço. Está na sua mão não preferir ninguem?… Não o está impedir que lhe queiram… mesmo sem esperança. Porque não serei eu d'esses?
D. MARIA JOANNA
O sr. Gonçalo Mendo!…—Sente-se ahi. Vamos, sente-se. Quero confessal-o.
GONÇALO
E dá-me a penitencia antecipada!
D. MARIA JOANNA
Verei depois a que merece… segundo o arrependimento.