Bem dizia Socrates, atheniense, «que a mulher é como o altar»: nunca está bastante ornada (para sahir) E com razão a definia o famoso Julio Cesar Scaligero, de Verona… (Sae.)

MORGADO (seguindo-o)

Muito melhor canta o nosso rifão «com a mulher e o dinheiro, não zombes companheiro.»

SCENA XII

MORGADO (voltando)

Bem te percebo, meu feixe de maximas velhas e sentenças occas!… Bom signal é que de mim te receies… Pressentes que te foge a presa… E não ha 48 horas ainda!… O que fará d'aqui a dias… Pudéra! similhante deposito de latins e de catarros, ao pé d'um homem da minha tempera, moço ainda, bem posto, prendado e cavalleiro!… (esfregando as mãos) Está certa, Bartholomeu Tojo, morgado da Gésteira… está caida. Pódes ir encommendando sege á boleia… Sege de côrte e sege de campo!… A fallar a verdade vem a tempo… era tempo. Iam-se já os últimos torrões! (esfregando as mãos) O que é ter artes e astucias!…

SCENA XIII

MORGADO e ZÉ DA MOITA

ZÉ (deitando a cabeça pela porta da E. em voz baixa e cauteloso)

Sr. morgado… Pschiu!… eh! sr. morgado!