Já volto. Volto já!
SCENA XVI
GONÇALO, e BOGAGE
BOCAGE
Quem é?
GONÇALO
Uma singularidade, emparelhada com outra que hade ver logo.—Não o esperava aqui, sr. Bocage. Vem mesmo por ordem do Ouvidor?
BOCAGE
Mesmo por ordem do Ouvidor. Faz trez semanas que me aquartelei em Monforte, n'um destacamento do meu regimento. Esta manhã o sr. Juiz Ouvidor de Villa Viçosa, que está em correição na villa, saiu a Vayamonte, e trouxe comsigo uma escolta em que eu vim. Ha pouco chega lá um homem todo esboforido… Um criado ouvi que era… D'ahi a um instante o sr. Ouvidor manda-me chamar em pessoa, e envia-me com quatro soldados aqui, para proteger não sei que fidalga que vem de jornada… O encargo póde ser lisongeiro, mas confesso que o dava a todos os demonios quando deitei por esses fraguedos abaixo. Agora, encontrando-o, meu tenente, dou-me por pago de tudo… Informei-me, e disseram-me que se tinham recolhido n'esta casa os viajantes. (reparando) Que casa santo Deus!… Dá-me ares de ter escapado ao diluvio… Pois a mobilia!… Da arca de Noé a trouxeram para aqui, certamente!… E aquelle canapé… Que canapé!… Um canapé? Um monumento!…
«Quando a velha antiguidade
Dentro n'esta sala entrou,
Disse áquelle canapé:
Sua benção, meu avô!»