D. MARIA JOANNA (atalhando-o impaciente e reprehensiva)

Commendador!

(O commendador approxima-se tirando a caixa de rapé.)

BOCAGE (reprimindo um gesto furioso e como continuando)

Mas a poesia, como dama, tem os seus dias, tem os seus momentos, tem os seus caprichos. É rainha, e não serva. Impéra, não obedece. Se vae arremessada no vôo, se a fazem colher as azas e baixar á terra (fitando o commendador)… para tropeçar na impudencia, ou no ridiculo… faz-se allegoria, faz-se apologo; é epigramma, é satyra; fustiga, flagella, punge, dilacera, fulmina… e segue, a sorrir desdenhosa, deixando atascada no seu lodaçal immundo a sandice enfatuada e grosseira!…

COMMENDADOR (sorrindo dubiamente e saboreando a pitada)

Hypotypóse arrojada! Já Democrito, philosopho da Thracia, dizia… o que quer que seja similhante… ao divino Hypocrates, natural da ilha de Cós! (Bocage vae para replicar arrebatado. Entra o morgado.)

SCENA XVIII

OS DITOS e o MORGADO

MORGADO (com um papel na mão, que esconde apenas vê os que estão em scena)