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As mesas do Café endoideceram feitas ar…
Caiu-me agora um braço… Olha, lá vai êle a valsar
Vestido de casaca, nos salões do Vice-Rei…
(Subo por mim acima como por uma escada de corda,
E a minha Ansia é um trapézio escangalhado…).
Lisboa—Maio de 1914
*DISTANTE MELODIA…*
Num sonho d'Iris, morto a ouro e brasa,
Vem-me lembranças doutro Tempo azul
Que me oscilava entre véus de tule—
Um tempo esguio e leve, um tempo-Asa.
Então os meus sentidos eram côres,
Nasciam num jardim as minhas ansias,
Havia na minh'alma Outras distancias—
Distancias que o segui-las era flôres…
Caía Ouro se pensava Estrelas,
O luar batia sobre o meu alhear-me…
Noites-lagôas, como éreis belas
Sob terraços-liz de recordar-me!…
Idade acorde d'Inter sonho e Lua,
Onde as horas corriam sempre jade,
Onde a neblina era uma saudade,
E a luz—anseios de Princesa nua…
Balaústres de som, arcos de Amar,
Pontes de brilho, ogivas de perfume…
Dominio inexprimivel d'Ópio e lume
Que nunca mais, em côr, hei de habitar…