Tapêtes doutras Persias mais Oriente…
Cortinados de Chinas mais marfim…
Aureos Templos de ritos de setim…
Fontes correndo sombra, mansamente…

Zimbórios-panthéons de nostalgias…
Catedrais de ser-Eu por sobre o mar…
Escadas de honra, escadas só, ao ar…
Novas Byzancios-alma, outras Turquias…

Lembranças fluidas… cinza de brocado…
Irrealidade anil que em mim ondeia…
—Ao meu redór eu sou Rei exilado,
Vagabundo dum sonho de sereia…

Paris 1914—Junho 30

*VISLUMBRE*

A horas flébeis, outonais—
Por magoados fins de dia—
A minha Alma é água fria
Em ânforas d'Ouro… entre cristais…

Camarate—Quinta da Vitória. Outubro de 1914.

*SUGESTÃO*

As companheiras que não tive,
Sinto-as chorar por mim, veladas,
Ao pôr do sol, pelos jardins…
Na sua mágoa azul revive
A minha dôr de mãos finadas
Sobre setins…

Paris—Agosto de 1914