*Segunda*.—Não, não fallemos d'isso. De resto, fômos nós alguma cousa?

*Primeira*.—Talvez. Eu não sei. Mas, ainda assim, sempre é bello fallar do passado… As horas teem cahido e nós temos guardado silencio. Por mim, tenho estado a olhar para a chamma d'aquella vela. Ás vezes treme, outras torna-se mais amarella, outras vezes empallidece. Eu não sei porque é que isso se dá. Mas sabemos nós, minhas irmãs, porque se dá qualquer cousa?…

(uma pausa)

*A mesma*.—Fallar do passado—isso deve ser bello, porque é inútil e faz tanta pena…

*Segunda*.—Fallemos, se quizerdes, de um passado que não tivessemos tido.

*Terceira*.—Não. Talvez o tivessemos tido…

*Primeira*.—Não dizeis senão palavras. É tão triste fallar! É um modo tão falso de nos esquecermos!… Se passeassemos?…

*Terceira*.—Onde?

*Primeira*.—Aqui, de um lado para o outro. Ás vezes isso vai buscar sonhos.

*Terceira*.—De quê?