PAGÃO

… Lembro-me então de mim. Rezo-me longe. Scismo.
E o lembrar-me de mim são os meus passos idos.
Arqueia-se em azul meu próprio misticismo
E eu fico apenas Côr sôbre vitrais vencidos.

O teu hálito é luz em candelabros velhos
Aos cantos dos salões onde me vejo a orar,
E os teus passos de Dôr são um quebrar de espelhos.
Quando te quero ver, morres no meu olhar.

Abraço-me chorando. O teu morrer é vêr-me,
Oiro de asas em Tule, ardendo antiguidade—
E o ter-te visto morta, o mêdo de perder-me.

Procuro-me em silêncio e oiço-me em teus passos.
Sôbre altares pagãos ergo-me divindade
E Isis dorme meu Ser em cortinados lassos!

VER-TE

Estendi os meus braços p'ra abraçar-te
E entre nós uma porta se cerrou.
Um sôpro de rubins em mim voou,
Sôpro que permitiu poder sonhar-te.

Saía a tua sombra p'las janelas
E perdia-se, ao largo, em arvoredos…
Os meus dedos scismando caravelas,
Eram prolongamentos dos teus dedos.

Num parque de oliveiras te sonhei
Erguendo-te do oiro que queimei
Nas ânforas do templo do meu Ser.

Parece que te vejo e tu estás longe…
Afastei-me de mim para ser monge…
Meus olhos são a sombra de te ver!