ADORMECIDA
As tuas mãos dormiam na lagôa incenso.
E pelas alamedas destruídas, loucas,
Desceu-se em mim minha alma a procurar as bocas
Que me rezaram Ser sôbre o teu manto extenso.
Vagamente desceu sôbre o silêncio, a arfar,
Combatendo de luz, a esvoaçar no ataque…
E de noite caiu Egipto em meu olhar,
Nos teus braços em cruz, sepulcros em Karnak.
Bocas de Faraós rezam múmias cansadas…
Tebas em mim fenece em bronze de toadas,
Apagando-se em cinza em lâmpadas sombrias.
E tu adormecida há tanto tempo, em pranto.
Os cisnes na lagôa embranqueceram tanto,
Que se esqueceram Côr nas tuas mãos esguías.
SONHO EGÍPCIO
No palácio, os pavões são apenas dizê-los…
As asas côr do longe erguidas sôbre mim.
Existem os pavões… O meu sentir-me é vê-los…
E o meu sonhar-te, alêm, são lagos no jardim.
Quando passei no parque, eu encontrei Nitokris.
Vi-a. Fitei-lhe as mãos para poder senti-las…
Meus olhos foram naus em águas intranquilas,
Meus sentidos, aneis nos dedos de Nitokris.
Labirinto de sons. Adormeço-me oiro.
Ansia apagada. Deus desce minha alma em oiro.
Meus olhos p'ra te ver, arcadas nos espelhos.
Rezas que nunca ouvi. Hálitos de saudades.
E as tuas mãos, ao largo, ungindo divindades
Scismam Ibis, pagãos, sôbre tapetes velhos.