Buscamo-nos em Côr e quando nos perdemos
Passam as tuas mãos em meus dedos, scismando
Estátuas de marfim sôbre as arcadas, mortas…

II

Morreram os leões que guardavam perdidos
A branca escadaria. Velhos leões sombrios…
Dêles apenas resta o eco dos rugidos
Que os arcos dos salões tornaram mais esguios.

As rendas que fiaste adormeciam bocas
E as rugas no teu rosto iam caindo, fundas…
No fim do parque, à noite, as águias moribundas
Guardavam em silêncio as destroçadas rocas.

Fiavas noutro tempo os teus olhos dormentes.
Deixaste de os fiar e os teus olhos arderam
Na côr das tuas mãos, na cruz de outros poentes…

Cega de mim, partiste. E quando regressaste
Manchada de Distância, os meus sentidos eram
Palmeiras ladeando a estrada onde passaste!

ESQUECENDO

Os lagos dormem cisnes na alameda
E as portas do palácio estão fechadas.
As folhas a caír, rezando seda,
Sonham paisagens mortas, afastadas…

Essas paisagens foram tuas aias.
Flautas ao longe foram teus sentidos.
E as tuas mãos ao desfiar vestidos
Dormiram franjas em doiradas saias.

A tua Sombra o seu olhar perdeu…
Não sei se não serás um gesto meu,
Um gesto de meus dedos longos, frios…