Ahi vae a minha Engomadeira.
Terminei-a em 7 de janeiro de mil novecentos e quinze e desde esta data foi agora a primeira vez que a reli.
Reconheço que este meu trabalho que eu muito estimo já não representa hoje em dia a avaliação do meu esforço, porêm usa muito da minha intuição por isso que a tutélo.
Reli-a, e se bem que a acceleração das imagens seja por vezes atropelada, isto é, mais expontaneamente impressionista do que premeditadamente, não desvia contudo, a minha intensão de expressão metal-synthetica Engomadeira, em todos os seus 12 capitulos onde interseccionei evidentes aspectos da desorganização e descaracter lisboetas.
V. sabe bem quanto eu contradigo a minha obra anterior, mas tambem sabe que se a contradigo não a renego nunca.
Na Engomadeira não tenho a notar mais que a minha insuficiencia litteraria até 7 de Janeiro de 1915, pois que, quanto á desorganização e descaracter lisboetas ainda não tenho as garantias suficientes para desmentido oficioso.
Mas… em todo o meu trabalho ha um facto importante que eu quero sublinhar—é a dedicatoria a José Pachêko.
É que muito pouca gente sabe, como eu, bem avaliar aquelles que são uma selecção dos bons aspectos de Paris.
Emfim, escuso de repetir-me n'este assumpto que o nosso Mario de
Sá-Carneiro sabia tão justamente classificar:
—Nós trez sômos de Paris!