—Diga.

—Eu teria ciumes, D. Amelia.

A moça corou.

—Pois amanhã Laura ha de passar a noite commigo.

Estas palavras foram ditas com o estouvamento da menina, que procura disfarçar um prazer, sob a mascara da contrariedade. Mas a mascara é tão risonha, que não illude.

—Quer-me tanto mal assim? perguntou Horacio. Não admira; uma paixão ardente e impetuosa como eu sinto pela senhora, não devia ter outra sorte. O verdadeiro amor foi e será sempre infeliz; não ha mulher que o comprehenda.

Amelia com as faces á arder não sabia que fizesse; sua mão tremula brincava com as flôres de um vaso, que vacillou sobre o consolo e cahiu no chão. O fracasso da porcelana, despedaçando-se, chamou a attenção das pessoas que estavam na salla; assim rompeu-se o enleio de Amelia.

A moça retirou-se confusa para o interior da casa. Momentos depois entrou de novo na sala, já serena e prazenteira. Seus olhos procuráram Horacio, para offerecer-lhe o meigo sorriso que trazia nos labios.

Esse sorriso dizia em sua eloquencia muda o seguinte:

—Si nunca a mulher soube comprehender o verdadeira paixão, serei eu a primeira.