—Amelia ficou lograda!

—Como?

—Creio que Horacio está justo com outra.

—Quem lhe disse?

—A tristeza de Amelia, e o olhar que o sujeito lhe deitou, quando fallava de um casamento que se ha de saber-amanhã.

—É verdade. Com quem será?

—Naturalmente com alguma fazendeira de mil contos. Depois que sahirem da igreja, o marido leva-a para o collegio do Hitchings; e deixa-a lá como pensionista, emquanto elle vai a Pariz aperfeiçoar-se na escola dos maridos.

Esta senhora é uma satira viva; sua conversa parece um fogo de artificio; dir-se-hia que o seu gracioso trajo é todo composto de alfinetes, que ella vai deixando em sua passagem envoltos em sorrisos assucarados, como confeitos do carnaval.

Occulto seu nome porque é muito conhecida na boa sociedade do Rio de Janeiro, e não quero compromettel-a com os noivos presentes e futuros das fazendeiras ricas.

Depois de ter durante alguns instantes ainda polvilhado a conversa com sua palavra elegante e chistosa, Horacio tomou o chapéo e retirou-se. Não eram nove horas; esta circumstancia mais entristeceu Amelia, e mais excitou a attenção da moça maliciosa.