—Ainda não fui; respondeu Salles Pereira sorrindo. Recebi uma carta, que me obrigou a demorar-me até agora para conversar com tua mãi e... comtigo, a quem o objecto mais interessa.

—A mim? O que será, papai? Algum convite de baile?

—Lê; disse o negociante apresentando-lhe a carta.

Amelia correu os olhos pelo papel, e seu rosto cobriu-se de vivos rubôres. O coração palpitava-lhe com tanta força que debuchava no linho o contorno dos lindos seios.

A carta era de Horacio, que pedia ao negociante a mão da filha.

Acabando de a lêr, a moça de olhos baixos e corpo tremulo, parecia vendar-se com sua innocencia para subtrahir-se ao olhar terno e curioso de seu pai. Nesse momento ella desejava, si possivel fosse, esconder-se dentro de si mesma.

—Que devo eu responder, Amelia? perguntou o negociante.

—O que papai quizer! balbuciou a menina.

—Estás bem certa de que meu desejo é o teu? Si eu não acceitar a honra que nos quer fazer o Sr. Horacio de Almeida?

As palpebras da moça ergueram-se, desvendando seus olhos limpidos.