Amelia voltou o rosto como para esconder uma lagrima.
—Acredite. O que me pede... não posso... não tenho forças para fazer. Si o senhor soubesse!... E entretanto deve saber, porque... Eu lhe supplico, não fallemos disso agora; depois eu lhe direi. Prometto-lhe!
—Não se dê a este trabalho. Já sei quanto basta: zombou de mim.
Horacio levantou-se visivelmente despeitado, e volveu os passos pela sala. Amelia continuou a bordar, talvez para disfarçar o seu vexame.
Decorridos alguns instantes, Horacio, lançando um olhar para a moça, occupada com seu bordado, viu alguma cousa que o sobresaltou. A fimbria do vestido, suspensa na travessa do bastidor, devia descobrir o pé da moça para quem estivesse sentado á sua esquerda.
O leão aproximou-se na esperança de sorprender o avaro thesouro que se roubava á seus olhos.
—Não sabia que bordava tão bem!
—Ora! Não tenho paciencia para estes trabalhos. Si não fosse uma divida...
—Como? Não é mais presente de annos?
—Uma e outra cousa.