A chamma só applacou quando elle tocou a terra onde dormia sua esposa; porque n'esse instante seu coração transudou, como o tronco do jetahy nos ardentes calores, e refrescou sua pena de lagrimas abundantes.

Muitos guerreiros de sua raça acompanharam o chefe branco, para fundar com elle a mayri dos christãos. Veio tambem um sacerdote de sua religião, de negras vestes, para plantar a cruz na terra selvagem.

Poty foi o primeiro que ajoelhou aos pés do sagrado lenho: não soffria elle que nada mais o separasse de seu irmão branco; por isso quiz que tivessem ambos um só Deus, como tinham um só coração.

Elle recebeu com o baptismo o nome do santo, cujo era o dia; e o do rei, a quem ia servir, e sobre os dois o seu, na lingua dos novos irmãos. Sua fama cresceu e ainda hoje é o orgulho da terra, onde elle viu a luz primeiro.

A mayri que Martim erguera á margem do rio, nas praias do Ceará, medrou. A palavra do Deus verdadeiro germinou na terra selvagem; e o bronze sagrados resoou nos valles onde rugia o maracá.

Jacaúna veio habitar nos campos da Porangaba para estar perto de seu amigo branco; Camarão assentou a taba de seus guerreiros nas margens da Mocejana.

Tempo depois, quando veiu Albuquerque, o grande chefe dos guerreiros brancos, Martim e Camarão partiram para as margens do Mearim a castigar o feroz tupinambá e expulsar o branco tapuia.

Era sempre com emoção que o esposo de Iracema revia as plagas onde fora tão feliz, e as verdes folhas a cuja sombra dormia a formosa tabajara.

Muitas vezes ia sentar-se n'aquellas doces areias, para scismar e acalentar no peito a agra saudade.

As jandaias cantavam ainda no olho do coqueiro; mas não repetiam já o mavioso nome de Iracema.