II. [Tabajaras.]—Senhores das aldeias—de taba—aldeia—e—jara—senhor. Essa nação dominava o interior da provincia, especialmente a Serra da Ibyapaba.

III. [Oitycica.]—Arvore frondosa, apreciada pela deliciosa frescura que derrama sua sombra.

IV. [Gará.]—Ave palludal, muito conhecida pelo nome de guará. Penso eu que esse nome anda corrompido de sua verdadeira origem, que é—ig, agua e ará, arara; arara d'agua, pela bella côr vermelha.

V. [Ará.]—periquito. Os indigenas como augmentativo usavam repetir a ultima sillaba da palavra e ás vezes toda a palavra—como murémuré. Muré, frauta—murémuré, grande frauta. Arára vinha a ser pois o augmentativo de ará, e significaria a especie maior do genero.

VI. [Urú.]—Cestinho que servia de cofre ás selvagens para guardar seus objectos de mais preço e estimação.

VII. [Crautá.]—Bromelia vulgar, de que se tiram fibras tão ou mais finas que as do linho.

VIII. [Jussara.]—Palmeira de grandes espinhos, das quaes se servem ainda hoje para dividir os fios da renda.

Pag. 22.—I. [Uiraçaba.]—aljava—de uira seta e a desinencia—caba—cousa propria.

II. [Quebrar a flecha.]—Era entre os indigenas a maneira symbolica de estabelecerem a paz entre as diversas tribus, ou mesmo entre dois guerreiros inimigos. Desde já advertimos que não se extranhe a maneira porque o extrangeiro se exprime falando com os selvagens: ao seu perfeito conhecimento dos usos e lingua dos indigenas, e sobretudo a ter-se conformado com elles a ponto de deixar os trajos europeus e pintar-se, deveu Martim Soares Moreno a influencia que adquiriu entre os indios do Ceará.

Pag. 23.—I. [Ibyapaba.]—Grande serra que se prolonga ao norte da provincia e a extrema com Piauhy. Significa terra aparada. O Dr. Martins em seu glossario lhe attribue outra etymologia. Iby-terra—e pabe—tudo. A primeira porém tem a auctoridade de Vieira.