II. [Igaçaba.]—de ig—agua e a desinencia çaba—cousa propria.

Pag. 24.—I. [Vieste.]—A saudação usual da hospitalidade era esta:—Erc ioubé—tu vieste? pa-aiotu, vim sim. Auge-be, bem dito. Veja-se Lery, pag. 286.

II. [Jaguaribe.]—maior rio da provincia; tirou o nome da quantidade de onças que povoavam suas margens. Jaguar—onça—iba—desinencia para exprimir copia, abundancia.

III. [Martim.]—Da origem latina de seu nome, procedente de Marte, deduz o extrangeiro a significação que lhe dá.

IV. [Pytiguaras.]—Grande nação de indios que habitava o littoral da provincia e estendia-se desde o Parnahyba até o Rio Grande do Norte. A orthographia do nome anda mui viciada nas differentes versões, pelo que se tornou difficil conhecer a etymologia.

[Iby] significava terra; iby-tira veiu a significar serra, ou terra alta. Aos valles chamavam os indigenas iby-tira-cua—cintura das montanhas. A desinencia jara senhor, accrescentada, formou a palavra Ibyticuara—que por corrupção deu Pytiguara—senhores dos valles.

V. [Mau espirito da floresta.]—Os indigenas chamavam a esses espiritos caa-pora, habitantes da mata, d'onde por corrupção veiu a palavra caipora, introduzida na lingua portugueza em sentido figurado.

Pag. 25.—I. [As mais bellas mulheres.]—Este costume da hospitalidade americana é attestado pelos chronistas. A elle se attribue o bello rasgo de virtude de Anchieta, que para fortalecer a sua castidade, compunha nas praias de Iperoig o poema da Virgindade de Maria, cujos versos escrevia nas areias humidas, para melhor os polir.

II. [Jurema.]—Arvore mean, de folhagem espessa; dá um fructo excessivamente amargo, de cheiro acre, do qual juntamente com as folhas e outros ingredientes preparavam os selvagens uma bebida, que tinha o effeito do hatchis, de produzir sonhos tão vivos e intensos, que a pessoa fruia n'elles melhor do que na realidade. A fabricação d'esse licor era um segredo, explorado pelos Pagés, em proveito de sua influencia. Jurema é composto de ju-espinho e rema cheiro desagradavel.

Pag. 26.—I. [Irapuam.]—de ira-mel e apuam redondo: é o nome dado a uma abelha virulenta e brava, por causa da forma redonda de sua colmeia. Por corrupção reduziu-se esse nome actualmente a arapuá. O guerreiro de que se trata aqui é o celebre Mel-redondo, assim chamado pelos chronistas do tempo, que traduziam seu nome ao pé da lettra. Mel-redondo, chefe dos Tabajaras da serra Ibyapaba, foi encarniçado inimigo dos portuguezes, e amigo dos francezes.