II. [Acaracú.]—O nome do rio é Acaracú—de acará garça—co—buraco, toca, ninho, e y—som dubio entre i e u, que os portuguezes, ora exprimiam de um, ora de outro modo, significando agua. Rio do ninho das garças é pois a traducção de Acaracú; e o rio das garças a de Acaraú. Usou-se aqui da liberdade horaciana para evitar em uma obra litteraria, obra de gosto e artistica, um som aspero e ingrato. De resto quem sabe se o nome primitivo não foi realmente Acaraú, que se alterou como tantos outros, pela introducção da consoante?

III. [Estrella morta.]—A estrella polar, por causa da sua immobilidade; orientavam-se por ella os selvagens durante a noite.

IV. [Boicininga.]—é a cobra cascavel—de boia, cobra e cininga chocalho.

V. [Oitibó.]—é uma ave nocturna, especie de coruja.

Pag. 27.—I. [Espiritos da treva.]—A esses espiritos chamavam os selvagens curupira, meninos máus—de curumim, menino, e pira máu.

II. [Boré.]—frauta de bambú,—o mesmo que muré.

III. [Ocara.]—praça circular que ficava no centro da taba, cercada pela estacada, e para a qual abriam todas as casas. Composto de oca, casa e a desinencia ara, que tem; aquillo que tem a casa, ou onde a casa está.

IV. [Potyuara.]—comedor de camarão; de poty—e uara. Nome que por desprêso davam os inimigos aos Pytiguaras, que habitavam as praias e viviam em grande parte de pesca.

Este nome dão alguns escriptores aos Pytiguaras. porque o receberam de seus inimigos.

Pag. 28.—I. [Pocema.]—grande alarido que faziam os selvagens nas occasiões solemnes, como em começo de batalha, ou nas expansões da alegria; é palavra adoptada já na lingua portugueza e inserida no diccionario de Moraes. Vem de po-mão e cemo clamar; clamor das mãos, porque os selvagens acompanhavam o vozear com o bater das palmas e das armas.