Foi rapido, como o olhar, o gesto de Iracema. A flecha embebida no arco partiu. Gottas de sangue borbulham na face do desconhecido.

De primeiro impeto, a mão lesta cahiu sobre a cruz da espada; mas logo sorrio. O moço guerreiro aprendeu na religião de sua mãe, onde a mulher é symbolo de ternura e amor. Soffreu mais d'alma, que da ferida.

O sentimento que elle pôz nos olhos e no rosto, não sei eu. Porem a virgem lançou de si o arco e a uiraçaba, e correu para o guerreiro, sentida da magoa que causara. A mão que rapida ferira, estancou mais rapida e compassiva o sangue que gotejava. Depois Iracema quebrou a flecha homicida: deu a haste ao desconhecido, guardando comsigo a ponta farpada.

O guerreiro falou:

—Quebras commigo a flecha da paz?

—Quem te ensinou, guerreiro branco, a linguagem de meus irmãos? D'onde vieste a estas matas, que nunca viram outro guerreiro como tu?

—Venho de bem longe, filha das florestas. Venho das terras que teus irmãos já possuiram, e hoje tem os meus.

—Bemvindo seja o extrangeiro aos campos dos Tabajaras, senhores das aldeias, e á cabana de Araken, pae de Iracema.

[III]

O extrangeiro seguiu a virgem através da floresta.