Quando o sol descambava sobre a crista dos montes, e a rôla desatava do fundo da mata os primeiros arrulhos, elles descobriram no valle a grande taba: e mais longe, pendurada no rochedo, á sombra dos altos joaseiros, a cabana do Pagé.
O ancião fumava á porta, sentado na esteira de carnaúba, meditando os sagrados ritos de Tupan. O tenue sôpro da brisa carmeava, como frocos de algodão, os compridos e raros cabellos brancos. De immovel que estava, sumia a vida nos olhos cavos e nas rugas profundas.
O Pagé lobrigou os dois vultos que avançavam; cuidou vêr a sombra de uma arvore solitaria que vinha alongando-se pelo valle fora.
Quando os viajantes entraram na densa penumbra do bosque, então seu olhar como o do tigre, feito ás trevas, conheceu Iracema, e viu que a seguia um joven guerreiro, de extranha raça e longes terras.
As tribus tabajaras, d'além Ibyapaba, falavam de uma nova raça de guerreiros, alvos como flôres de borrasca, e vindos de remota plaga ás margens do Mearim. O ancião pensou que fôsse um guerreiro semelhante, aquelle que pisava os campos nativos.
Tranquillo, esperou.
A virgem aponta para o extrangeiro e diz:
—Elle veiu, pae.
—Veiu bem. É Tupan que traz o hospede á cabana de Araken.
Assim dizendo, o Pagé passou o cachimbo ao extrangeiro: e entraram ambos na cabana.